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Peixe de água doce · nº 44 na coleção

Trairão-curupira

Hoplias curupira · família Erythrinidae
Também chamado de trairão e cabeça-chata

O trairão-curupira (Hoplias curupira) é um peixe de água doce nativo do Brasil, encontrado nos estados AP, AM, GO, MA, MT, PA, RR e TO. Vive em rios grandes e igarapés de água preta ou clara: rio Negro e afluentes (Branco, Uaupés, Tiquié), Uatumã (abaixo de Balbina e no Pitinga), Urubu, Trombetas, Tapajós, Xingu, Aripuanã, Tocantins (até o alto Tocantins, em Goiás, e o oeste do Maranhão), Capim e rios do Amapá. Atenção: a captura é só pesque-e-solte em MT.

Atualizado em 23/10/2026 · regras com a norma de origem

Ilustração do trairão-curupira (Hoplias curupira)

Resumo rápido

  • Melhores iscas: Lambari vivo, Camarão vivo, Minhoca, Isca de corte (pedaço de peixe).
  • Melhor horário: Come de dia e de noite; costuma render mais no amanhecer, no fim da tarde e à noite.
  • Melhor época: Na vazante e na seca, com o peixe preso nos poços e igarapés. No rio Negro a seca vem em outra época: no médio Negro (Barcelos) mais ou menos de setembro/outubro a fevereiro/março, e em Roraima de outubro a março (estimativa, varia a cada ano); no Tocantins, Xingu, Tapajós e Amapá, de junho a outubro. Respeite a piracema do seu estado (no AM, PA e AP, de 15/11 a 15/3; em RR, de 1/3 a 30/6).
  • Tamanho mínimo: 50 cm em alguns estados (ver regras).

Como reconhecer o trairão-curupira

Trairão de porte pequeno (o maior medido tem uns 31 cm sem a cauda, cerca de 37 cm no total por estimativa) do Negro, Branco, Uatumã, Urubu, Trombetas, Tapajós, Xingu, Aripuanã, Tocantins, Capim e Amapá. Corpo de traíra, robusto, sem adiposa e com cauda arredondada; cabeça larga, achatada por cima e de perfil arredondado. Marrom-escuro com reticulado escuro, às vezes quase preto; nadadeiras com pintas brancas formando faixas claras. Não tem mancha preta na pele da borda do opérculo. Confirmação: mandíbula em U e língua lisa.

  • Sem mancha preta na pele da borda do opérculo
  • Cabeça larga, achatada por cima e de perfil arredondado
  • Marrom-escuro com reticulado escuro e nadadeiras com pintas brancas em faixas claras
  • Pequeno para trairão: o maior medido tem uns 31 cm sem a cauda
  • Confirma: mandíbula vista de baixo em U e língua lisa, sem dentinhos

Variação: O reticulado escuro é fraco ou ausente nos filhotes bem pequenos e se espalha e escurece com o tamanho; nos maiores pode cobrir quase todo o corpo, e a cabeça costuma ser mais clara. Muitos têm uma ou duas faixas escuras saindo do olho e lábios com listras claras e escuras, como a traíra.

Peixes parecidos com o trairão-curupira

  • Traíra: Bem mais comum e muito parecida de lado: também pode ter pintas nas nadadeiras e faixas saindo do olho. O curupira tem cabeça mais larga e achatada e corpo marrom-escuro reticulado, mas isso varia. Sem confirmação, fique com traíra. Confirma: traíra tem mandíbula em V e língua áspera.
  • Trairão-amazônico: Divide o Tocantins, Xingu, Tapajós, Trombetas e Amapá, mas não o rio Negro. Tem mancha preta alongada na vertical na pele da borda do opérculo, que o curupira não tem, e fica bem maior, chegando a cerca de 1 m. Os dois têm mandíbula em U e língua lisa.
  • Trairão-do-são-francisco: Em Goiás ficam em bacias vizinhas: o curupira no alto Tocantins (rio Paranã) e o trairão-do-são-francisco no Paranaíba. De lado quase não se separam: use a bacia. Confirmação pela boca não ajuda (os dois têm mandíbula em U e língua lisa).
  • Jeju (Hoplerythrinus unitaeniatus): Menor (uns 25–30 cm), com ocelo no opérculo (mancha escura de borda clara) e faixa escura ao longo do flanco.

Onde encontrar o trairão-curupira

Vive em rios grandes e igarapés de água preta ou clara: rio Negro e afluentes (Branco, Uaupés, Tiquié), Uatumã (abaixo de Balbina e no Pitinga), Urubu, Trombetas, Tapajós, Xingu, Aripuanã, Tocantins (até o alto Tocantins, em Goiás, e o oeste do Maranhão), Capim e rios do Amapá. Fica junto a troncos, galhadas, pedras e beiras de igapó, muitas vezes em casal.

Igarapés de água preta ou clara, poços e remansos de rios grandes, beiras de igapó e de ilhas (como em Anavilhanas), troncos ocos e galhadas, e poços abaixo de cachoeiras e corredeiras. No Uatumã já foi coletado no pé da barragem de Balbina.

Ambientes: rio, riacho/arroio e lago/lagoa.

Regiões de pesca

Estados

Melhores iscas para pescar trairão-curupira

Peixinho vivo, camarão, minhoca e tiras de peixe; nas artificiais, iscas pequenas de superfície (zaras e poppers) e plugs de meia-água.

  1. Lambari vivo (isca natural)
  2. Camarão vivo (isca natural)
  3. Minhoca (isca natural)
  4. Isca de corte (pedaço de peixe) (isca natural)
  5. Plug de superfície (stickbait / zara) (isca artificial)
  6. Popper (isca artificial)
  7. Plug de meia-água (minnow / twitchbait) (isca artificial)

Como pescar trairão-curupira: equipamento e técnica

Equipamento de traíra resolve: vara de 1,65–1,80 m para 10–20 lb, multifilamento de 20–30 lb, líder de 30–40 lb (os dentes cortam a linha) e anzóis 1/0–3/0.

Estratégia

Arremesse junto a troncos, galhadas e beiras de igarapé, deixe a isca parada alguns segundos e só fisgue quando sentir o peso. Costuma andar em casal: depois de pegar um, insista no mesmo ponto. Use alicate para tirar o anzol.

Melhor horário e época para pescar trairão-curupira

Horário: Come de dia e de noite; costuma render mais no amanhecer, no fim da tarde e à noite.

Época: Na vazante e na seca, com o peixe preso nos poços e igarapés. No rio Negro a seca vem em outra época: no médio Negro (Barcelos) mais ou menos de setembro/outubro a fevereiro/março, e em Roraima de outubro a março (estimativa, varia a cada ano); no Tocantins, Xingu, Tapajós e Amapá, de junho a outubro. Respeite a piracema do seu estado (no AM, PA e AP, de 15/11 a 15/3; em RR, de 1/3 a 30/6).

Para saber se hoje está bom na sua região, o índice de pesca do app junta pressão, vento, chuva, lua e maré numa nota de 0 a 10. Veja também o calendário de pesca pela lua.

O que o trairão-curupira come

Predador de emboscada que come peixinhos, camarões, insetos e larvas, minhocas e até frutas que caem na água.

Regras de pesca do trairão-curupira: tamanho mínimo, defeso e proibições

Atenção: a captura é só pesque-e-solte em MT.

Em MT, só pesque-e-solte (Lei do Transporte Zero, até o fim de 2028); a lei estadual também traz 60 cm para o trairão, que só valeria depois desse prazo. No TO, tamanho mínimo de 50 cm (Portaria Naturatins 47/2026, que já cita o Hoplias curupira). No AP, nos rios Araguari, Flexal, Cassiporé, Calçoene, Cunani e Uaçá, o trairão está na lista de espécies proibidas na piracema (Portaria IBAMA 48/2007, que o chama de Hoplias lacerdae); por precaução, não pesque trairão ali nessa época. Em RR, nos rios Água Boa do Univini, Itapará, Xeruini e Jufari, só vale o pesque-e-solte esportivo (Lei RR 1.540/2021, com prazo de 5 anos que vence por volta de novembro de 2026; confira se foi prorrogada). No AM, a lei do tucunaré (Lei AM 6.647/2023, art. 17) proíbe isca viva na pesca amadora; não está claro se vale para outras espécies, então evite isca viva. Em AM, PA, RR, GO e MA não foi encontrado tamanho mínimo para o trairão. Respeite a piracema da sua bacia.

Regras por estado

EstadoSituaçãoTamanho mínimoDefesos
AmapáLiberado com regras—Piracema da bacia Amazônica15/11/2026 a 15/03/2027
AmazonasLiberado com regras—Piracema da bacia Amazônica15/11/2026 a 15/03/2027
GoiásLiberado com regras—Piracema da bacia do rio Araguaia01/11/2026 a 28/02/2027
Piracema das bacias dos rios Tocantins e Gurupi01/11/2026 a 28/02/2027
Piracema em Goiás01/11/2026 a 28/02/2027
MaranhãoLiberado com regras—Piracema das bacias dos rios Tocantins e Gurupi01/11/2026 a 28/02/2027
Defeso das bacias do Maranhão01/12/2026 a 30/03/2027
Mato GrossoSó pesque-e-solte—Piracema de Mato Grosso01/10/2026 a 31/01/2027
ParáLiberado com regras—Piracema da bacia Amazônica15/11/2026 a 15/03/2027
Piracema da bacia do rio Araguaia01/11/2026 a 28/02/2027
Piracema das bacias dos rios Tocantins e Gurupi01/11/2026 a 28/02/2027
RoraimaLiberado com regras—Piracema dos rios de Roraima01/03/2027 a 30/06/2027
TocantinsLiberado com regras50 cmPiracema da bacia do rio Araguaia01/11/2026 a 28/02/2027
Piracema das bacias dos rios Tocantins e Gurupi01/11/2026 a 28/02/2027
Piracema no Tocantins01/11/2026 a 28/02/2027

Defesos do trairão-curupira

Normas

  • Lei MT nº 9.096/2009 (art. 19-B, XI, e Anexo II)
  • Portaria NATURATINS/GABIN nº 47/2026 (Anexo I com redação da Portaria NATURATINS/GABIN nº 105/2026)
  • Portaria IBAMA nº 48/2007 (piracema da bacia Amazônica)
  • Portaria IBAMA nº 48/2007 (piracema dos rios de Roraima)
  • IN Interministerial MAPA/MMA nº 10/2017 (piracema de Mato Grosso)
  • IN Interministerial MPA/MMA nº 12/2011 (piracema da bacia do rio Araguaia)
  • IN Interministerial MPA/MMA nº 13/2011 (piracema das bacias dos rios Tocantins e Gurupi)
  • Instrução Normativa SEMAD/GO nº 17/2026 (piracema em Goiás)
  • Portaria NATURATINS nº 244/2025 (piracema no Tocantins)
  • Portaria IBAMA nº 85/2003 (defeso das bacias do Maranhão)
  • Lei RR nº 1.540/2021
  • Lei AM nº 6.647/2023

Regras informativas, reunidas de normas oficiais (confiança média: fonte secundária ou detalhes em aberto). Elas mudam: confira sempre a legislação vigente antes de pescar.

Curiosidades

O nome vem do Curupira, o protetor da floresta do folclore brasileiro, de pés virados para trás. Só foi descrito em 2009; antes era chamado de Hoplias aff. lacerdae, ou seja, um parecido com o trairão do Sul. Pela cabeça larga, também é chamado de cabeça-chata.

Conservação

IUCN: Pouco Preocupante (LC, 2020). Tem ficha de avaliação no ICMBio (SALVE) e não está na lista nacional de espécies ameaçadas (Portaria GM/MMA 1.667/2026).

Perguntas frequentes sobre o trairão-curupira

Qual a melhor isca para pescar trairão-curupira?

Peixinho vivo, camarão, minhoca e tiras de peixe; nas artificiais, iscas pequenas de superfície (zaras e poppers) e plugs de meia-água.

Qual o tamanho mínimo do trairão-curupira?

Não há tamanho mínimo que valha no país todo, mas há nos estados: Tocantins: 50 cm. Peixe menor que isso deve ser solto vivo.

Quando é o defeso do trairão-curupira?
Pode pescar trairão-curupira?

Depende do estado. Em Mato Grosso: só pesque-e-solte. Nos demais estados, respeite o tamanho mínimo e o defeso.

Qual o melhor horário para pescar trairão-curupira?

Come de dia e de noite; costuma render mais no amanhecer, no fim da tarde e à noite. Melhor época: na vazante e na seca, com o peixe preso nos poços e igarapés. No rio Negro a seca vem em outra época: no médio Negro (Barcelos) mais ou menos de setembro/outubro a fevereiro/março, e em Roraima de outubro a março (estimativa, varia a cada ano); no Tocantins, Xingu, Tapajós e Amapá, de junho a outubro. Respeite a piracema do seu estado (no AM, PA e AP, de 15/11 a 15/3; em RR, de 1/3 a 30/6).

Qual o tamanho do trairão-curupira?

O tamanho comum é de cerca de 28 cm. O trairão-curupira pode chegar a 37 cm e 0,6 kg.

Onde encontrar trairão-curupira?

Igarapés de água preta ou clara, poços e remansos de rios grandes, beiras de igapó e de ilhas (como em Anavilhanas), troncos ocos e galhadas, e poços abaixo de cachoeiras e corredeiras. No Uatumã já foi coletado no pé da barragem de Balbina.

Fontes

Peixes parecidos e da mesma região